Bom, finalmente eu acho tempo e paciência pra postar sobre NY.
Depois de toda a confusão que o Fred, meu agente, me arrumou, cheguei em NY desanimada (pra quem não sabe, na véspera da viagem ele me ligou falando que não tinha conseguido arranjar hotel pra mim!). Estava um bocadinho preocupada de viajar sozinha com 3 mil dólares na barriguinha (aquela coisa de levar dinheiro dentro da roupa) e morrendo de medo da minha mala ser extraviada!
Cheguei no hotel, Pickwick Arms, super tarde, já deviam ser umas 4 da tarde da 4a feira. Meu quarto era super fofinho, apesar de minúsculo - tinha a cama, que estava fantasiada de sofá; uma mesinha onde ficava o iHome (fantástico, né?), uma outra mesinha que era uma escrivaninha, e do outro lado do quarto uma pia, um pseudo-armário aberto e o único lugar que tinha um pedaço de chão livre, pra você colocar as malas. Apesar de tudo, ele era muito fofinho. Tem fotos, mas não gasta =)
Mesmo estando desanimada, resolvi dar um passeio só pra ver dequalé. Saí, armada do guia e da máquina. O Pickwick fica na 3a Avenida com a rua 51 - ou seja, bem perto da 5a avenida mesmo! O único problema é que em NY não existe a 4a avenida - existem 3 ruas entre a 3a e a 5a, a Lexington, a Park e a Madison =) Então dava um bom passeio de 5 quarteirões pra chegar na 5a avenida. Nesse primeiro dia, rodei pela 5a avenida e passei por lugares perto. A 5a avenida em si é muito legal - ela não é larga, é bem estreita, mas as calçadas são bem largas, o que dá uma sensação muito legal. Os prédios absurdamente enormes e lindos e as mil lojas de marca compõe o cenário.
Duas coisas importantes relativas à 5a avenida. A primeira é que não dá pra você passear por lá de casaco azul da Columbia, não! O uniforme oficial é bota de salto até o joelho; meia calça café; saia até o joelho; e sobretudo escuro, mas não preto. Se não tiver um sobretudo, você não está apropriado. E outra coisa - passear devagar, olhando pros prédios, também é super over. Novaiorquino passa super apressado, com um ar compenetrado, sem essa de ficar olhando pros lugares não.
Perto da 5a avenida tem a igreja de Saint Patrick que é linda! As fotos lá de dentro não saíam boas, então não tem fotos. Ainda na 5a tem a Biblioteca Pública, que é simplesmente maravilhosa! Tem seções e seções de livros, e ao contrário da Library de Avon, tem gente pesquisando e lendo. Tem também uma seção enorme de computadores pra acessar a internet, e eu fiz minha carteirinha pra poder mandar emails pra casa. O triste é que eles tavam em falta de carteiras, então só tenho o número, não a carteira de verdade. Mas assim que alguém for a NY eu peço pra pegar pra mim!
Depois disso, uma virada pra rua 41, uma passadinha pelo Bryant Park (muito fofo!) e já estamos na Times Square! Foi uma surpresa pra mim, porque não tinha no mapinha que eu estava seguindo =) E é lindo. O problema que me lembrou Las Vegas, tem uma carinha de artificial, aquelas luzes e mil tevês e mil outdoors brilhantes... mas vai, é lindo mesmo assim!
Subi a Broadway até a Toys 'R' Us, uma loja super ultra famosa de brinquedos. Ela é enooooorme! Logo de cara você dá com a roda gigante - sim, tem uma roda gigante lá dentro! E nos vários andares, cada seção é temática e decorada apropriadamente. Tem um tiranossauro gigante que fica fazendo barulhos de tiranossauro e mexendo os bracinhos; na seção de lego, tem a Estátua da Liberdade gigante feita de lego; nos jogos de mesa, um tabuleiro gigante de Monopoly (Banco Imobiliário) pendendo do teto. E dá-lhe seção de Star Wars, seção da Barbie, seção de videogames, seção de carrinhos, seção de bonecas... é de babar =)

A próxima e última parada foi o Rockefeller Center, que é meio bobo mas tem que ir. Tem o Prometeu gigante e bonitão, tem a pista de patinação no gelo, e no natal tem uma das maiores e mais bonitas árvores do mundo (que eu não vi, porque não era natal!).

Voltei pra casa contagiada pelo I Love NY, e a partir daí fiz uma programação pesada pros dias seguintes.
Na 5a feira, acordei cedo (6 e meia! dá pra acreditar?) e rumei pro Central Park. Na ida, tomei café - sanduíche de ovo com bacon num croissant, e leite com chocolate - que saiu baratíssimo. Fui andando pela 5a avenida, de novo, até chegar ao Central Park - que é a coisa mais linda desse mundo!

Eu tinha medo do Central Park ser assim um Parque das Mangabeiras, super denso de árvores, e de eu me perder lá dentro. O que eu tinha esquecido é que primeiro, Nova Iorque não é bem lá uma cidade tropical, e segundo - estávamos saindo do inverno! Resultado: essas árvores ralinhas, que deixavam entrar o sol, e deixam a gente ver a 5a avenida logo ali, com aqueles prédios imensos e tráfico louco.

Apesar de serem 7 da manhã e estar super frio (no termômetro da rua, 0 graus nossos), já tinha muita gente passeando com seus cachorros fofos e peludos, ou correndo. Foi o lugar que eu menos vi turistas! O parque é super bem cuidado - na época, a maior parte da grama estava fechada, porque se você pisa ela fica abafada e não cresce direito (era o que estava escrito na placa!). Em teoria, ele é todo aberto no começo de abril. E é cheio de plaquinhas fofas!

Outra coisa muito fofa é que você pode 'adotar' um banco. Não faço a menor idéia de quanto você paga, mas o fato é que você pode colocar uma plaquinha nele. Tinha de tudo - bancos dedicados à memória de falecidos, bancos de declaração de amor, brincadeiras, feliz aniversário... eu fiquei um bom tempo lendo as plaquinhas, uma mais fofa que a outra. E a mais lindinha...

Outro lugar legal do Central Park é o reservatório Jacqueline Kennedy Onassis, que é um lagão muito bonito com uma pista de cooper em volta (alguém lembrou da barragem Santa Lúcia?) Estava ventando ingual doido, por isso a cabeleira na foto =)

Depois do Parque Central, foi a vez do Metropolitan, que fica do lado do parque.
O Met é lindo, o Met é enorme, o Met é tudo de bom. É de babar! Não dá nem pra descrever, tem que ficar lá no mínimo um dia inteiro! Tem uma parte de esculturas gregas e italianas maravilhosa, tem uma parte egípcia de cair o queixo, tem quadros de tudo quanto é época (inclusive uma coleção de arte moderna muito legal). Outra coisa legal é que tem vários tours guiados, e o mais genérico ('Met Highlights') tem em várias línguas, inclusive em português!

Saí do Met morrendo de pena, mas sabendo que se eu não saísse dele eu não ia pro Museu de História Natural...
Bom, o NHM é uma coisa louca - mas convenhamos, parece uma feira de ciências super desenvolvida. A diferença é que é tudo de verdade - os artefatos indígenas, os fósseis, os meteoritos. As partes mais legais são a do espaço e a dos dinossauros!

Saindo do MHN, foi a hora de pegar o metrô e descer até a B&H, o ponto alto consumista da viagem. Fiquei triste de não ter tirado fotos lá de dentro. O lugar tem de tudo! E o pessoal é super simpático. Fui inclusive aconselhada a comprar uma câmera mais barata do que a que eu queria! Foi fantástico. Comprei uma câmera lindinha e baratinha (mas boa!), um cartãozinho de memória (de 1 giga =)), um mp3 player pro Rafa e ainda um carregador de parede pro meu próprio pod. E saí por aí com 500 dólares em compras numa sacolinha =)
A partir da B&H, que fica na rua 34 com a 9a avenida, fui andando pela 34 até chegar na Macy's. Não tinha nada pro meu bico, mas não resisti a ser maquiada pelos stands de maquiagem (eu sempre quis fazer isso!) Escolhi uma que tinha chance de eu comprar alguma coisa, a Two Faced, e a moça fez um milagre! Acabei comprando o produto de maquiagem mais caro q eu já comprei, que chama Luz Líquida, é fantástico e custou 20 dólares =)
Saindo da Macy's, passemos pela Herald Square e toquemos para o Empire State Building. Poxa! Que vista! Vale muito a pena passar lá, e mais a pena ainda alugar o audioguide. É que tem lugares marcados que você ouve trechos específicos, e aí o cara fala coisas do tipo 'tá vendo esse prédio assim assado? do lado direito dele tem tal prédio que é isso e aquilo'. É muito legal, e muito lindo! Outra coisa - acho que a visita ao Empire State tem que ser feita no penúltimo dia da viagem, porque aí dá pra vc identificar de cima os lugares nos quais você já foi. Muito, muito legal. Ah! lá venta loucamente e é bem frio... não se esqueça de levar as luvas =)

Do Empire State direto pra casa - afinal de contas, 14 horas de andança é suficiente pra um dia só!
No terceiro e último dia, a idéia era ambiciosa - descer pra Greenwich Village, passear por lá, descer pra Chinatown, passear por lá, ir na loja do pai, e voltar a tempo de passar no MoMA. Só que logo esse programa se revelou ambicioso demais, porque eu precisava sair do hotel meio dia. Acabei indo só na J&R, a loja que tinha o GPS que o pai encomendou. A sorte é que do lado da loja ficava o City Hall e a pracinha do City Hall, um lugar muito fofo que eu não conheceria se não fosse a encomenda.
Saindo de lá, dei uma passada relâmpago pelo MoMA... ai, que tristeza. Sabe o que é ter exatamente uma hora pra dar uma olhada nos dois andares de pinturas e esculturas, e só 15 minutos pra uma exposição especial enoooorme do Munch? Foi muito, muito triste! Dava vontade de chorar, mesmo. Ainda mais na frente de um van Gogh dessa categoria...

Saindo do MoMA, aproveitei pra pegar um pedacinho da parada de Saint Patrick's Day. É a maior parada de NY, com sei lá quantos mil passantes. Me deu uma certa sensação de estar em Ouro Preto, porque teve um batuque muito do meia boa - mas quando começaram a passar as gaitas de fole, aí sim =) E impressionante - todo mundo de verde, com aquelas camisas 'kiss me, i'm irish' e coisa e tal! Muito legal mesmo. O chato é que todo mundo fica na calçada só assistindo, em vez de participar! E tem um policiamento doido. Eu custei pra conseguir atravessar a 5a (o MoMA é entre a 6a e a 5a, e meu hotel é entre a 3a e a 2a), precisou de ficar numa fila e quando deu uma folguinha os policiais abriram a comporta e atravessamos a rua, se sentindo como bois (bom, pelo menos eu).
Mas nem longe da 5a você escapa do dia do Santo Paddy; em todo lugar todo mundo veste verde, e em várias esquinas você encontra bandinhas irlandesas de sainha e tudo, ensaiando. Fantástico!
E aí, acabou NY pra mim. Não sem antes eu descobrir que tinha perdido a Blue Van pro aeroporto, e passar bem uns 30 minutos achando que ia perder o vôo... até conseguir um táxi particular. Antes dele chegar, passei num indiano do lado do hotel pra pegar um almoço (não podia sair de NY sem experimentar nenhuma comida diferente, né?) e comprar uns oreos pros mil vôos...
Só não fiquei completamente arrasada por ter ficado tão pouco tempo porque Nova Iorque é uma cidade que a gente volta uma, duas, três vezes, e em todas acha que ficou pouco tempo =)
Adeus, EUA!